A imagem de capa desta edição nasceu da ideia de que o passado pode operar como arquitetura do futuro. Em “Ancestralidade Hacker”, o retrato central não é apenas um rosto: é um ponto de enlace entre cosmologias ancestrais e linguagens tecnológicas. O cocar, as marcas de rosto e a presença do animal de companhia surgem como elementos de tradição; os traços de neon, os padrões geométricos e o entorno escuro reticulado são cortes digitais que reescrevem essa tradição em código. 

 Queremos afirmar que ancestralidade não é “saudade do passado”, mas potência criativa — um repositório de práticas, linguagens e mundos possíveis que podem ser utilizadas para subverter estruturas coloniais no espaço técnico. Esta capa funciona como convite: olhar, reconhecer e agir. A arte propõe uma leitura dupla — poética e estratégica — e dá o tom da revista: combativa, cuidadosa, híbrida. 

 Na edição 3.0 reunimos ensaios, entrevistas e projetos visuais que investigam formas de traduzir saberes tradicionais em práticas tecnológicas (mintagens, protocolos de governança, poéticas digitais). A capa é, portanto, também programa: a estética é uma declaração política — celebrar modos de existir que hackeiam o futuro para devolvê-lo às mãos das comunidades que o criam. 

 Créditos: arte por [escolher o artista da capa]. Curadoria visual: [Terrorzinho]. Texto editorial: equipe Tekoha Punk.